A festa do garotinho questionador

JH estava prestes a completar um aninho e é, claro, teria festa. Mas como não sou mãe normal (fui aquela grávida que, vejam só, não quis saber o sexo do bebê) fugi dos temas infantis do momento (da Porca, da Galinha, da Princesa Congelada e até da minha querida Luna) e comecei a pensar em algo original, com cor e cheiro de feito em casa, mas sem perder o “glamour” de uma festa decorada com capricho. Juntando minhas parcas experiência e talento nas artes manuais, arregacei as mangas e, depois de quase ficar louca, consegui chegar próximo do que eu queria.

Tema: Armandinho. A nossa história com o personagem escolhido vem desde a barriga. No lançamento de um dos livros, o pai do JH contou ao Alexandre que eu estava grávida e ele, carinhosamente, nos presenteou com uma tirinha autografada que foi devidamente emoldurada e agora faz parte da decoração do quarto do nosso filho. Meses depois, já com JH nos braços, fomos a mais um lançamento e assim conseguimos o primeiro autógrafo do meu pequeno. Mas Armandinho não é Peppa, não existe decoração do Armandinho à venda nas casas de festas. O jeito era personalizar a festa. Fiz alguns orçamentos de personalizados e vi que não era pro meu bolso. O jeito era fazer eu mesma algumas coisas e terceirizar o que eu não tinha talento/tempo para fazer.

mesa prontaBonecos e toppers: Pegando uma indicação no FB cheguei até a Luadicor. Vi alguns de seus trabalhos em feltro na fanpage, gostei e perguntei se ela conseguiria fazer com o tema escolhido. Ela topou e o resultado não poderia ter sido melhor.

armandinhoAdesivos das lembrancinhas e desenhos do Armandinho nas garrafinhas: Para esses eu recorri a uma gráfica, a Print It. Precisei pagar pela diagramação, a parte mais cara. Eu mesma colei os adesivos nos saquinhos e cortei os desenhos do Armandinho.

docegarrMini-toppers para os docinhos e cupcakes, toppers e etiquetas de coração para as garrafinhas: Fui de DIY. Comprei cartolina, papel de scrap, furadores em formato de coração e de sapinho e fui fazendo aos poucos. Gramadinho da Casa China, sapinhos simpáticos e porta retratos a R$ 6,99 cada na Daiso em São Paulo. As bandeirinhas com o nome fiz com cartolina e folha para scrapbook e arrematei com uma bandeirola em ponto cruz (usei lã) em formato de coração.  E usei muita, mas muita cola quente.

IMG_20160222_214307656 IMG_20160222_214324457 IMG_20160222_214458481 IMG_20160222_214808934 IMG_20160222_215315102Biscoitos decorados: Conheço a Dani (Carinho de Comer) de um curso de espanhol que fizemos na mesma turma mas foi meu marido que deu a dica de que ela estava trabalhando com biscoitos decorados. Contei pra ela qual era o tema, ela fez algumas amostras e fechamos negócio. Os biscoitos ficaram lindos, tão lindos que nem dava coragem de comer (mas comemos, e estavam ótimos).

FB_IMG_1456235177382 FB_IMG_1456235186316Bolo: A Glaucia (Bolo Artísticos Glaucia Cristina) foi outra indicação que “emprestei” no FB. Os bolos que ela faz são lindos mas uma foto me chamou a atenção: era um bolo da Turma da Monica, em do jeito que eu queria. Depois de várias trocas de mensagem (além de talentosa ela é muito paciente) chegamos a um modelo e um tamanho que dariam certo já que a intenção era que o bolo fosse todo comestível. Deu certo, ficou lindo e todos os convidados pensaram que se tratava de bolo cenográfico.

boloCupcakes: Já estava certa de encomendar os cupcakes num lugar mas a moça iria viajar na data da festa e me indicou outros dois lugares de confiança. O primeiro não cabia no meu bolso então fui conhecer a Dolce Shop. Comprei alguns cupcakes tradicionais para provar em casa: deliciosos. Escolhi os sabores e a quantidade. Ficaram lindos na mesa.

IMG-20160223-WA0011Docinhos: Como a ordem era economizar, peguei em panelas e fui fazer os beijinhos e brigadeiros tradicional, amendoim, doce de leite e leite ninho. Fiz por volta de 500 docinhos. Comecei uma semana antes das festa e fui congelando.

Chocolates e lembrancinhas : Minha mãe fez os alfajores em formato de coração para colocar na mesa e também os redondos para as lembrancinhas.

Complementos: para o painel atrás da mesa cortei vários círculos de papel kraft e alguns de papel colorido e fui sobrepondo na parede. Ao lado pendurei algumas lanternas japonesas coloridas. Para a toalha eu comprei dois metros de chita, minha mãe cortou em dois pedaços e fez a bainha então coloquei os dois cortes de tecido sobrepostos na mesa previamente forrada com papel kraft. Comprei flores “mosquitinho” e fiz dois arranjos com garrafinhas de vidro. As mesas dos convidados eu forrei com papel kraft, carimbei “permitido desenhar” e deixei sobre as mesas conjuntos com 3 giz de cera. Deu certo essa ideia pois quase todas as mesas acabaram sendo decoradas com o talento dos convidados, até dos adultos.
Para as comidinhas salgadas minha mãe fez mini esfirras, uma amiga do trabalho fez duas formas de empadão, outra amiga fez patês de frango e atum para servir com pão, fiz cachorro mini pãezinhos com salsicha e também pão de queijo.

IMG_20160223_110731Contação de histórias: para fugir da tradicional dupla piscina de bolinhas + pula-pula decidimos contratar a Fafá que divertiu crianças e adultos com várias histórias mas a melhor foi “Até as princesas soltam pum”.

IMG_20160223_110251 IMG_20160223_110314 IMG-20160223-WA0000Não saiu tudo como eu havia planejado na minha cabeça (acho que nunca sai), fiquei cansada, mas todos elogiaram a festa e já perguntam pela próxima. Dou um sorriso e respondo: marquem na agenda, em algum dia de fevereiro de 2025.

(tá, talvez aconteça antes)

Me elogie, mas não só por perder peso

balloon-in-skyEles não vieram todos de uma vez. Pensando bem eles chegaram, um a um, ao longo de sete ou oito anos e foram se instalando silenciosamente. Um dia fui fazer uma bateria de exames e na hora de fazer as ecografias (sim, foram várias) a enfermeira me entregou um avental, desses que usamos em hospitais, com a recomendação de que eu devia tirar toda a roupa e vestir apenas aquilo. Quando cheguei ao banheiro vi que o tal avental era totalmente transparente e pouca diferença fazia eu vesti-lo ou não. Mas como era parte do protocolo, enrolei aquele pedaço de TNT transparente no corpo e me olhei no espelho.

Se eu tiver que citar o exato momento em que decidi tomar uma atitude e emagrecer foi no instante em que vi minha imagem refletida no espelho do banheiro. Há alguns anos eu tive pressão alta, tomei remédio por algum tempo, cuidei da alimentação, normalizei a pressão e até perdi alguns quilos. Digo que perdi porque consegui encontrá-los  e ainda arranjei alguns novos. Comecei a fazer acompanhamento com duas nutricionistas diferentes mais um endocrinologista. O cardápio feito pela primeira não deu resultados e quanto aos dois últimos profissionais, apesar da boa vontade da nutricionista, decidi deixá-los de lado no dia em que o médico prescreveu um antidepressivo.

A combinação de trabalho + faculdade + falta de tempo (preguiça?) de fazer exercícios + várias pizzas + doces fez com que meu peso fosse aumentando cada vez mais. Estava ficando cansativo subir um lance de escadas e difícil pintar as unhas dos pés já que a circunferência da minha cintura (barriga?) tinha alcançado aquele número que começa a preocupar.

Eu já conhecia a dieta Dukan, havia lido o livro e até tinha tentado fazê-la uma vez, sem sucesso.  Decidi me dar uma segunda chance e no dia 15 de Setembro de 2013 comecei a dieta. Não foi fácil me privar de tantas coisas gostosas, recusar bolos, chocolate e ver todos em volta comendo com prazer, mas meu maior prazer, o que realmente me manteve firme, foi fazer a pesagem todas as  manhãs e constatar que o número indicado no mostrador estava diminuindo dia a dia. Sentir minhas roupas ficando mais e mais largas era bem melhor do que devorar uma fatia generosa de bolo de chocolate. É claro que a vaidade colaborou bastante para que eu me mantivesse firme (receber elogios, olhar para o espelho sem medo, provar várias roupas e constatar que todas me caíam muito bem…) mas a saúde e a vontade/necessidade de me sentir saudável veio em primeiro lugar. Tenho alguns planos para esse e os próximos anos e eles dependiam muito da minha boa forma.

Não sei bem certinho com que peso comecei a dieta mas fazendo alguns arredondamentos posso dizer que eliminei uns 13 quilos.

 Sobre o método Dukan:

O que eu posso falar é: esse método caiu como uma luva para mim. Eu me adaptei muito bem a ele e não tive nenhum problema, mas não posso afirmar que ele sirva para todos.

Alguns sites e blogs fazem um resumão do método e dão até dicas de cardápio, mas a minha dica é: compre o livro (Eu não consigo emagrecer), leia o livro. Terminou? Leia novamente os pontos mais importantes e reflita se você vai conseguir encarar a dieta restritiva abrindo mão de comidas deliciosas e vá em frente. Mas se não der certo pare tudo e busque alternativas.

Mas será que todos realmente querem e precisam emagrecer para receber elogios e viver com saúde? Se elogiamos alguém por perder peso estamos admitindo que gordinhos não são tão bonitos ou será apenas uma percepção enviesada da beleza? Sugiro a leitura do post Não me elogie por perder peso.

Bolo de segunda – O ingrediente misterioso

BOLO DE SEGUNDAFosse há alguns anos, quando a minha habilidade na cozinha e a minha disposição para tentar coisas novas não eram lá muito grandes, eu não teria me arriscado na feitura desse bolo. Mas por duvidar que um bolo tão improvável pudesse mesmo dar certo, lancei-me nesse desafio.

Não é uma receita complicada, apenas um pouco trabalhosa, mas se você ainda não tem intimidade suficiente com batedeiras, fornos e formas, sugiro que deixe isso para um estágio mais avançado da sua vida culinária.

Assim que o bolo ficou pronto cortei um pedaço e analisei bem, tentando achar algum traço do ingrediente misterioso e nada, ele tinha desaparecido. A parte mais divertida estava por vir, ofereci o bolo para minhas cobaias meus colegas da firma com a seguinte frase:

– Tem um ingrediente especial nesse bolo que será revelado somente depois que todos comerem um pedaço.

Eles comeram, repetiram e adoraram e eu cumpri minha parte e revelei o segredo.

Curioso? Pois deixe que eu dê os devidos créditos. A solução desse mistério está aqui.

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Coincidências ou como a cultura pop é foda!

O que o Impressionismo, a banda The Smiths e o filme Ferris Bueller’s Day Off têm em comum?

O Impressionismo é um movimento artístico que surgiu na França no século XIX. Os artistas impressionistas pintavam ao ar livre utilizando pinceladas soltas enfatizando a luz e o movimento. Esses artistas foram revolucionários pois conseguiram captar, através de sua arte, as transformações sociais ocorridas no final do século XIX, transformações essas que deram inicio à Modernidade.

Nas últimas semanas tenho juntado muitos materiais referentes a esse movimento e uma das pinturas me chamou a atenção. O nome da tela é “Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte” pintada por Georges Seurat em 1884.

Georges_Seurat_-_Un_dimanche_après-midi_à_l'Île_de_la_Grande_Jatte

 

Assim que vi o quadro me lembrei do filme do Ferris Bueller, mais especificamente a cena do museu (o Art Institute of Chicago). Essa é a cena mais doce do filme e é quando o perturbado Cameron fica hipnotizado pela menina de branco no centro da tela.

Mas a sucessão de coincidências não para por aí. A música, linda, que toca durante a cena é uma versão instrumental de Please, Please, Please, Let Me Get What I Want dos Smiths.

Não acredita? Confere aqui na voz maravilhosa do Morrissey:

Sou fã do filme (daqueles que já o assistiram um zilhão de vezes) e, mesmo estando na categoria Sessão da Tarde, sempre o considerei excelente. Quanto aos Smiths, eles fizeram parte da minha adolescência. Lembro de ficar horas no meu quarto ouvindo suas músicas, cinco, dez, quinze vezes seguidas. A junção dessas duas manifestações artísticas com algo tão inovador, como foi o Impressionismo para sua época só me faz ter certeza de quão rica pode ser a cultura pop, quando bem utilizada.

Cinquenta tons de cinza (e mais alguns)

Num sábado à tarde estava dando uma volta entre as prateleiras de uma livraria quando comecei a reparar na grande semelhança entre as capas de alguns livros. Todos eles de alguma forma faziam alusão à trilogia Cinquenta tons de cinza. Não pensei duas vezes e comecei a fotografar.

Em todos os volumes a cor que predomina é a cinza (e seus vários tons). As palavras usadas nos títulos denotam uma sensação que fica entre o prazer e a dor com um leve toque de inocência e submissão dando a entender que o narrador é daquele tipo que quer muito, mas não tem coragem de admitir. Era mais de uma dezena de livros, mas no final fiquei com a impressão de ter fotografado o mesmo livro, apenas variando os ângulos.

Não li Cinquenta tons… e nenhum desses outros títulos. Não sei se são bons ou ruins, nem sei quem são os autores, o que sei é que de repente parece que só serei uma mulher realizada se:

– tiver um caso com um milionário, ou similar;

– for totalmente submissa a ele;

– e mesmo que queira muito uma boa trepada noite de amor, devo fazer de conta que não é comigo.

Engraçado que este tipo de literatura sempre existiu mas atendia pelo nome de Sabrina e Julia. E mulher que lia esses livros era (classificada como) ingênua e/ou mal comida. Mas agora quem lê Cinquenta tons… e seus genéricos (pois tá no jornal, tá na Globo! tá na Veja!) é esclarecida, moderna e atualizada (além de sexy e poderosa).

Vai entender.

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O que você quiser – envolvida por um bilionário

(e quem não ia querer?)

 

 

 

 

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 50 versões de amor e prazer

(olha o número mágico aí)

 

 

 

 

 

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A Casa da Submissão – Uma história cinquenta tons acima

(abaixo, de lado, de ponta cabeça…)

 

 

 

 

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Valentina – na câmara escura

(pra quem tem vergonha de tirar a roupa)

 

 

 

 

 

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A noiva despida – Quais são os limites do desejo?

(pra quem quer esperar até o casamento)

 

 

 

 

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Toda sua – Ele me possuiu e eu fiquei obcecada…

(essas são perigosas)

 

 

 

 

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No limiar do desejo – Render-se ao prazer só é libertador se você se entregar por completo

(humrum, por completo, sei)

 

 

 

 

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Não posso me apaixonar – às vezes resistir é impossível…

(e se você for profissional do sexo, pode acabar com sua carreira)

 

 

 

 

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Amante renascido

(the walking dead?)

 

 

 

 

 

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80 dias – a cor da luxúria

(50 tons, 80 dias, é o sexo indo para a área das exatas)

 

 

 

 

 

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falsa submissão 

(aquelas que não se comportam nem apanhando de cinta)

 

 

 

 

 

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Bem profundo

(precisa comentar?)

 

 

 

 

 

 

Três

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Desci do ônibus e parei na esquina esperando para atravessar a rua. Na esquina oposta avistei gigantescos laços cor-de-rosa escandalosamente enfeitando a fachada de uma farmácia e anunciando descontos incríveis em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

Fiquei matutando: qual é para mim o real significado desse dia? Para que ele serve além de permitir que eu compre xampu mais barato? Então lembrei de algumas mulheres. Essas mulheres que eu lembrei não vão aparecer na TV, não terão seus nomes lembrados no rádio e nem suas fotos publicadas nos jornais, mas nem por isso deixam de ser importantes. São mulheres que travaram batalhas intimas, que carregaram fardos , que muitas vezes tiveram que endurecer sua pele transformando-a em armadura mas que nunca deixaram calar seus corações.

Hoje esse texto está sendo escrito a oito mãos. Hoje as ideias fluem da minha cabeça, correm pelos meus braços e escapam pelos meus dedos porque um dia três mulheres me deram a chance de existir.

Angela, Josefa e Tereza – esse é o significado desse dia.