O Aquiles tem seu calcanhar, o Superman sua Kriptonita.
Mulherzinha MODE ON
Eu já me declarei para o Marlon Brando aqui, mas esses dias lembrei de outra mulherzisse. Sabe aqueles filmes que você assiste uma vez e depois de novo, de novo e de novo? Um que me faz parar tudo e ficar em frente à TV é Notting Hill. Foi assistindo esse filme que eu contraí uma paixonite pelo Hugh Grant. Não sei especificar o que foi. Talvez os olhos azuis e o sotaque britânico, talvez Londres ou então a ingenuidade do personagem em achar que uma estrela de Hollywood se apaixonaria por ele. Não sou fã de comédias românticas e nem fico esperando por um final feliz mas esse filme me faz ficar agoniada querendo saber o que vai acontecer (mesmo que eu já saiba).
Mas não é só o ator ou a história. É o ator, a história e a música. Esses três elementos se complementam e criam um final quase-perfeito (perfeito seria se eu estivesse no lugar da Julia Roberts). Fosse fora desse contexto, provavelmente eu acharia a música melosa demais, brega demais ou velha demais. Mas para mim ela é perfeita.
Era uma turma do pré e como toda boa turma do pré, era tempo de fazer um presente de dia das mães. Semanas antes a professora havia pedido que cada criança trouxesse um sabonete. Tinha dado até o nome de uma marca específica, segundo ela, mais cheirosa.
- Mããããããããe, compra o sabonete tal?
- Pra quê?
- A professora pediu.
- Mas tá cheio de sabonete aqui em casa.
- Mas a professora pediu esse.
- Ah, essas professoras só inventam.
Sabonete comprado, as próximas semanas foram dedicadas à confecção do presente: algo que envolvia o sabonete, decalques, rendas e fita. Sexta-feira, véspera do dia das mães, lembrança pronta e guardada dentro da lancheira. Agora o problema era como guardar o presente sem que a mãe visse. Durante a volta para casa lembrou que a primeira coisa que a mãe fazia ao chegarem era limpar a lancheira. Como sumir com o presente? O jeito era chegar antes. Quando alcançaram a esquina de casa apertou o passo e saiu correndo, deixando a mãe para trás. Só parou quando chegou no seu quarto. Rapidamente tirou o presente da lancheira e guardou lá no fundo da gaveta, bem protegido por uma camada de meias.
No domingo de manhã, logo ao acordar, tirou o presente da gaveta e correu encontrar a mãe. Deu-lhe um beijo e um abraço e entregou o presente. A mãe fez cara de surpresa e agradeceu o presente dando-lhe repetidos beijos na bochecha. Ficou com aquela sensação boa, de ter pego alguém de surpresa. E a mãe, que já desconfiava de tudo, comprou a brincadeira.
As mães sempre são cúmplices dos filhos, mesmo que eles não saibam disso.
Em Curitiba, durante os meses mais frios, acontece um movimento fashion-cultural que acabei de batizar de “a incrível invasão das botas”. A ocorrência de tal movimento está diretamente ligada à queda da temperatura: mais frio, mais botas. Não sei dizer ao certo se é algum tipo de fenômeno natural como a migração dos pássaros ou a pororoca, mas tudo indica que sim pois, ao perceber a chegada das primeiras ondas de frio as botas parecem atingidas por algum instinto primitivo e pulam de armários, sapateiras, vitrines e prateleiras direto para os pés mais ou menos cheirosos das moradoras de Curitiba. Num piscar de olhos as ruas, shoppings, restaurantes e baladas são invadidos por botas dos mais variados tipos e estilos: ankle boot, cano médio, over boot, cowboy, de salto e até de montaria. Esta última inclusive, é uma das espécies mais vistas, e, ao contrário do que o próprio nome diz, não é usada para montaria (pelo menos não o tipo de montaria que envolve cavalo e sela).
Na maioria das vezes as botas nunca vem sozinhas. Um olhar mais atento vai revelar que elas são complementadas por um cabelo comprido loiro (ou pelo menos com luzes) muito bem trabalhado na chapinha e por um óculos escuro (mesmo em dias nublados ou em ambientes internos). As botas mais ousadas também não abrem mão de uma boina ou um chapéu, desde que isso não comprometa a idoneidade física da chapinha.
Mas engana-se quem pensa que as botas apenas protegem e aquecem os pés de quem as usa. Esses seres (ouso chamá-las de seres e não mais de simples calçados) vêm alcançando uma posição de tão grande destaque em nossa cidade que servem muito mais como um termômetro social. Com bota você é alguém. Hoje mesmo fui almoçar em um restaurante e 99% das mulheres usavam longas e engraxadas botas. O 1% restante era eu cometendo a gafe do dia: não usar botas. Quem não se lembra das longas botas da Rainha dos baixinhos, símbolo máximo da realeza, ou ainda das inesquecíveis botas brancas das Paquitas que conseguiam despertar inveja nas meninas e a luxúria nos garotos (e por vezes nos pais dos garotos)?
O seu nível social não é mais medido pelo modelo do seu carro ou pelas jóia que você usa pois é complicado, e perigoso, sair gritando aos quatro ventos quão rico você é. Mas não há limites para as botas. E uma boa bota, na hora e lugar certos, pode despertar a admiração de muitos e a inveja de centenas. Não há limites para elas, afinal, nada mais comum (e glamouroso) do que levar seu cachorrinho ao parque para fazer cocô calçando um bota de montaria da nova coleção.
O Carnaval nunca foi uma data importante. Nunca fui a uma matinê e nunca me vesti de odalisca (a fantasia preferida durante minha infância). Mas tem uma coisa que sempre me lembra o carnaval, e da maneira mais engraçada.
Eu devia ter uns cinco ou seis anos. Sentado na soleira da porta da casa da minha avó estava meu tio, e em pé, atrás dele, estava eu. Enquanto ele tomava sol para curar a ressaca eu brincava de catar bolinhas de confete perdidas no meio daquela cabeleira estilo black power.
É isso que me faz lembrar o carnaval, as bolinhas de confete espalhadas no cabelo do meu tio.
Enquanto meus pais eram a imagem da responsabilidade esse meu tio representava tudo o que era menos responsável e por isso mesmo mais divertido. Meu tio só acordava na hora do almoço, mas não levantava imediatamente. Gostava de ficar deitado na sala assistindo desenhos. Que criança não vai amar um adulto que pode ficar em casa assistido desenhos? Não sei se ele trabalhava e nem que horas isso acontecia. Essas questões não cabiam na minha cabeça de criança. O que sei é que para mim ele era o melhor tio do mundo. Estava sempre de bom humor, sempre fazendo brincadeiras e era o primeiro que corria me consolar quando minha mãe me dava bronca. Não me lembro nunca de tê-lo visto preocupado ou enfezado, e mesmo que a situação fosse grave, sempre fazia caber uma piada.
Depois que ele casou nós nos víamos menos, mas era só ter um Domingo de sol que ele aparecia de repente lá em casa nos convidando para descer a serra do mar. Pegávamos a estrada a bordo de um imponente Galaxy preto, no toca-fitas a Alcione nos fazia companhia.
Fui crescendo e percebendo que viver a vida de forma menos responsável tinha suas consequências. De vez em quando meu tio aparecia com as marcas das brigas em que se metia. Um dia apareceu com o dedo mindinho quebrado, mas ao invés de praguejar fez algo melhor, narrou toda a briga (algo que envolvia bebida e bilhar) até sua fuga extraordinária escapando por pouco de ser acertado por um taco de bilhar. E deixou claro que só fugiu por que eram cinco contra um, afinal ele podia ser louco, mas não bobo.
Moramos perto, moramos longe, moramos pertinho novamente e, mesmo com o passar dos anos, ele continuava o mesmo. Acho que foi o primeiro a perceber que eu, já adolescente, precisava me divertir e até se ofereceu para me levar numa danceteria famosinha lá em São Paulo.
Um dia ele cismou em participar da São Silvestre já que o percurso passava pertinho de onde morava. Sem treinar e muito menos sem fazer a inscrição pôs um shorts, calçou um tênis e ficou aguardando pacientemente no meio fio até que avistou o pelotão de elite. Então, sem nenhuma cerimônia, correu para junto dos primeiros colocados e os acompanhou por alguns metros até ser retirado da pista por policiais, estampando no rosto um sorrisinho sacana que queria dizer “alguém ainda duvida?”
Eu achava meu tio forte pra caramba, desses sujeito malandros que se metem em confusão mas sempre consegue escapar (quase) ilesos. Mas ele tinha uma fraqueza. Meu tio bebia demais. E isso, combinado ao fato de ter uma doença hereditária, fez sua saúde piorar cada vez mais. Mas nem a doença o intimidava e quando alguém dizia que se ele não se cuidasse morreria cedo, respondia bem calmamente: “E quem disse que eu quero viver muito?”.
Assim como o Carnaval ele chegou com festa a algazarra, incomodando uns, divertindo outros tantos e indo embora com uma sensação que poderia ter durado mais um pouco. No final sua vontade foi feita.
Faz tempo que eu não assisto novela. Ou BBB. Também não assisti ao tal comercial da Luiza. Bom, tudo o que eu escrever aqui, admito e já alerto, será sem conhecimento de causa.
Engraçada essa tal de tecnologia. Agora, através do pay-per-view, podemos assistir (possíveis) estupros ao vivo. Depois, quando o caldo entorna, pode-se alegar que tudo não passou de um mal entendido. Uns dizem que foi, outros que não. Agora a Justiça (ou o Boninho) vai decidir. E então o conceito de estupro caiu na boca do povo; e está sendo banalizado. Tem aqueles que dizem que se uma mulher (em chulo e bom português) fica se esfregando em macho é porque quer dar, e então, o tal macho, apenas cumpriu seu papel. Então é assim, se eu fico de beijos e amassos com alguém tenho, necessariamente, que manter uma relação sexual. Isso me soa animalesco demais. A parte mais grave da história não está na existência ou não de uma vitima de estupro no BBB pois essa está amparada e se quiser pode botar a boca no trombone (por favor, sem trocadilhos). O problema é que, numa sociedade em que casos de abuso sexual são uma constante, a banalização de um crime como esse é muito preocupante.
Agora o caso da Luiza (você sabe quem). Vamos deixar de lado a questão do mercado imobiliário. Para mim as brincadeiras baseadas no texto da propaganda não passaram de…brincadeiras! Exagero o pai da moça declarar que iria encurtar as férias da filha devido à superexposição. Mas pai é pai. O que não me agradou foi a dona Globo (falo da Globo pois foi ela que fez a entrevista com a tal Luiza) meter a colher numa coisa que partiu dos internautas. É igual aquela criança mimada que não sabe brincar e tem sempre que mostrar quem manda. E agora tem o Carlos Nascimento do SBT dizendo que “Luiza já voltou do Canadá. E nós já fomos mais inteligentes.” Eu curti o video, outros não gostaram. Já é característica dessa terra fazer piada de tudo e não vejo mal em uma brincadeira inocente. A vida útil de um meme desses é o que? Dois, três dias? O problema é quando isso se estende além do prazo ou ganha uma importância que não merece, e acho que era sob este aspecto que o Nascimento estava falando. Mas enfim, você vai lá, faz uma piadinha no Facebook, dá uma risada e toca a vida pra frente.
Quem não lembra da Katiusha que beijou o Bono Vox na boca (o Twitter nem era nascido) ou do ambicioso projeto “Save the Galvão Birds”? Brincadeiras coletivas. Mas vocês perceberam que além das risadas, essas brincadeiras conseguem provocar outra coisa? União. Por meios tortos é certo, mas ainda assim é uma maneira de juntar muitas pessoas, em muito pouco tempo, falando de um determinado assunto. A questão é que o brasileiro é o rei da galhofa e é muito mais divertido espalhar um meme sobre a Luiza do que sobre algum assunto mais sério. A Globo entendeu o recado e para não deixar todo o poder nas mãos da plebe, resolveu brincar também.
Banzé era um cachorro como os de antigamente. Dormia no quintal dentro de uma casinha feita com restos de madeira. A casinha não tinha nenhum conforto; no máximo, nas noites de muito frio, forravam as paredes com jornal para protegê-lo do vento. Comia da mesma comida dos donos, a diferença é que ficava com os restos e de vez em quando tinha a sorte de achar um pedaço de carne perdido no meio do arroz e do feijão. Tomava banho uma, no máximo duas vezes por mês, direto no tanque, com direito a água gelada e sabão de coco. Felizmente seu pelo curto o livrava das detestáveis escovadas no lombo. Latia em sinal de alerta quando algum desconhecido se aproximava do portão e corria atrás do carteiro por puro prazer. Era um vira-latas por origem e opção.
O fim do ano finalmente chegara e Banzé sabia disso. Não porque tivesse noção de dias e meses mas porque um movimento anormal tomava conta da casa. Aumentava a quantidade de crianças correndo pelo quintal e da cozinha saíam cheiros que faziam sua barriga roncar. Nessa época a comida que chegava até seu prato tinha uma maior quantidade de carne e gordura.
Quando anoitecia, o entra e sai na casa aumentava tanto que ele nem dava conta de latir para tantos desconhecidos. Os cheiros vindos da cozinha ficavam ainda mais intensos e o faziam salivar. Fortes também eram as risadas das pessoas da casa. Quando já estava bem escuro todos saíam para o quintal e ficavam olhando para o céu como se procurassem alguma estrela perdida. Sem nenhum aviso um barulho muito forte explodia na sua cabeça ao mesmo tempo em que o céu ficava coberto de novas estrelas que acendiam e apagavam toda vez que o barulho voltava. Banzé tremia de medo e, sem entender o que estava acontecendo, ficava correndo entre as pernas das pessoas tentando chamar sua atenção até que uma das meninas da casa percebia seu desespero e o abraçava bem forte dizendo:
- Não precisa ter medo Banzé, é apenas o Ano Novo.
Era o almoço do dia de Natal. Diferente das outras famílias, na nossa não havia ceia; nunca. Eu achava normal. Tão normal quanto espalhar algodão na árvore de Natal fingindo ser neve. Esses almoços aconteciam sempre na casa dos meus avós. Juntavam-se filhos, filhas, genros, cunhadas e crianças, muitas crianças. E as crianças foram o motivo da discórdia naquela tarde quente de Dezembro.
Um dos meus tios era casado com uma mulher bem gordinha, tia Martinha, e os dois tinham quatro filhos. Acontece que tia Martinha, tomada pelo espírito natalino, resolveu se vestir de Papai Noel: roupa vermelha, gorro e barba. Vestiu a fantasia, meteu os presentes dentro do saco e rumou para a casa dos avós.
Quando ela chegou eu demorei a descobrir quem era o Papai Noel disfarçado, mas sabia que aquela figura não era real. Acho que nunca acreditei que um velhinho de trenó fosse o responsável pelos meus presentes. Ele era apenas mais um símbolo, assim como o presépio e a árvore. Mas tia Martinha interpretava bem o papel. Subiu as escadas da casa acenando e começou a distribuir os presentes ao mesmo tempo em que soltava um ho ho ho bem convincente. Acho que porque eu era uma das sobrinhas mais velhas, ganhei um boneco grande, bem bonito, enquanto minhas primas mais novas ganharam cada uma, uma boneca menorzinha. Estávamos nessa atividade de distribuição dos presentes quando uma das crianças menores começou a chorar. Sabe aquele choro sentido, de quem está realmente com medo? Tia Martinha viu aquilo e, meio contrariada ,arrancou a barba branca e o gorro. Minha outra tia, comparando a bonequinha que a filha tinha ganhado, com o meu boneco, fez cara de quem comeu e não gostou. E assim, num clima menos amigável fomos todos almoçar. Após o almoço os adultos ficaram na mesa conversando e a criançada correu para fora intentando pôr à prova a resistência dos brinquedos novos.
Poucos minutos depois ouvi vozes alteradas vindo da cozinha e logo depois o barulho de uma garrafa quebrando. Não consegui entender como a briga começou, o que sei é que ouvi coisas do tipo “…por que o melhor presente é sempre para ela…” e “…cada um tem o que merece…”. Entendi que meu boneco estava metido na confusão e o abracei bem forte com medo que alguém viesse arrancá-lo dos meus braços. A briga ia piorando quando ouvi uma voz firme mandando que todos calassem a boca. Era a minha avó, com seus apenas um metro e cinquenta, enfiando um pouco de razão na cabeça daqueles marmanjos.
Depois dessa intervenção os adultos foram saindo da casa cabisbaixos, juntando suas crianças e se despedindo com um sorriso amarelo. A louça foi lavada e os cacos de vidro foram varridos. Nos dias seguintes um clima de ressaca ficou suspenso no ar. As crianças, coitadinhas, ainda se perguntavam se a culpa era delas e os adultos tinham certeza que nem o espírito natalino liberta das culpas do passado.
Hoje completamos três meses de casados e para comemorar a data resolvi passar a limpo meus votos de casamento escritos de madrugada num quarto de hotel e complementados por um citação de Grande Sertão: Veredas, anotada às pressas num guardanapo de papel.
“Quando você teve a ideia de dizermos nosso votos eu tentei lembrar de algum poema ou trecho de romance que eu pudesse usar nesse momento e ironicamente, uma quase formada em Letras não conseguiu lembrar de um único verso que servisse a esse propósito. Hoje eu acordei de madrugada e fiquei na cama pensando sobre o que escrever para você e comecei a lembrar da nossa história. Você sabe que não sou boa com datas. É você que sempre lembra o aniversário de namoro e sabe em anos, meses e dias se duvidar, a quanto tempo estamos juntos (mas hoje eu fiz as contas e estamos juntos a 5 anos, 6 meses e 16 dias). Mas eu sou boa em lembrar de detalhes, principalmente para usá-lo a meu favor. E hoje de madrugada eu lembrei da primeira vez que nos vimos. Foi no Shopping Estação numa sexta à noite e naquele final de semana você estava indo para Tietê cuidar do seu pai que havia feito uma cirurgia. Lembro da primeira vez que nos beijamos, era meu aniversário, 26 de Fevereiro, um domingo de carnaval. Depois daquele primeiro beijo passamos todo o feriado de carnaval juntos e no terceiro dia você me pediu em namoro. O meu sim eu disse alguns dias depois em 8 de Março, Dia da Mulher, num fim de tarde lá na Torre da Telepar. Nesse mesmo dia trocamos nossa primeiras alianças de compromisso.
E foi assim, de detalhe em detalhe que fomos construindo nossa história……(glup)……de amor.
Felipe, eu agradeço seu carinho e principalmente a paciência que você tem comigo. Admiro seu bom humor, seu otimismo e sua sensibilidade. Relembrando nossa história vi o quanto sou feliz por ter você ao meu lado e quero que isso dure muitos e muitos anos.
Seu coração, eu sei, é repleto de amor e prometo continuar sendo merecedora desse sentimento.
E aqui Guimarães Rosa:
Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.“
Curitiba, 24 de Outubro de 2011.
(eu só passei a limpo sem fazer nenhuma alteração, por isso a coesão não está perfeita)
Acredito que as coisas mais despretensiosas são aquelas que mais nos surpreenderão.
Em Março deste ano comecei a frequentar os ensaios do coral da empresa em que trabalho. Não sou cantora, não tenho talentos musicais e não acredito que tenha uma voz boa o bastante para cantar. Mas mesmo com todos os contras decidi fazer parte do grupo.
Sete meses depois estava pisando no palco do Teatro Guaíra e logo em seguida viajei para Londrina, Cascavel, Maringá e Ponta Grossa cantando junto com outras 160 vozes acompanhadas pela Orquestra Curitiba Sinfônica.
Eu poderia passar horas descrevendo o que foi e o que significou essa “turnê” mas achei melhor transformar minhas palavras em imagens e música.
Nas aulas da faculdade havia um colega de turma que carregava para todos os lados um pequenino caderno de capa preta. Lá ele fazia todas as anotações das disciplinas. Posso dizer que o tal caderninho era como um amigo inseparável. Fiquei curiosa para saber o que de tão especial tinha naquele caderno. Um dia, enquanto passeava pela Livraria Cultura do Conjunto Nacional, dei de cara com uma pequena prateleira cheia do tais caderninhos pretos e finalmente descobri seu nome; era um Moleskine.
The history of the Moleskine notebook
The Moleskine notebook is the heir and successor to the legendary notebook used by artists and thinkers over the past two centuries: among them Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, and Bruce Chatwin. A simple black rectangle with rounded corners, an elastic page-holder, and an internal expandable pocket: a nameless object with a spare perfection all its own, produced for over a century by a small French bookbinder that supplied the stationery shops of Paris, where the artistic and literary avant-garde of the world browsed and bought them. A trusted and handy travel companion, the notebook held invaluable sketches, notes, stories, and ideas that would one day become famous paintings or the pages of beloved books.
A história do caderno Moleskine
O caderno Moleskine é o herdeiro e sucessor do lendário caderno usado por artistas e pensadores ao longo dos últimos dois séculos: entre eles Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Ernest Hemingway, and Bruce Chatwin. Um simples retângulo preto com cantos arredondados, um elástico para segurar as páginas e um bolso interno expansível: um objeto indescritível e perfeito em sua essência, produzido ao longo de um século por um encadernador Francês que abastecia as papelarias de Paris, onde eram comprados pela vanguarda artística e literária mundial. Um confiável e portátil companheiro de viagem, o caderno guardou rascunhos, notas, histórias e ideias que um dia tornariam-se famosas pinturas ou páginas de livros adorados.
(texto tirado do folheto que veio junto com o Moleskine e tradução minha pois havia tradução até para o Japonês, mas não para o Português)
O Moleskine virou então meu novo objeto de desejo. Infelizmente não dá para encontrá-lo em qualquer papelaria e o valor (uma vez que tem que ser importado) não é nada animador.
Com 2012 quase na porta era hora de comprar uma agenda nova. Mas minha agenda possui certas particularidades: deve ser pequena o suficiente para caber na bolsa mas com espaço para muitas anotações. Além disso é bom que tenha algum tipo de bolso interno para guardar pequenos pedaços de papel e um fecho ou elástico para mantê-la fechada.
Quando vi a edição especial do Peanuts daily calendar não tive dúvidas: tenho que comprar essa agenda. Tentei na Amazon, o valor era razoável mas a entrega seria apenas para a metade de Janeiro. Na Cultura o preço era mais salgado e a entrega só para o fim do ano, início de Janeiro. Fiz mais uma tentativa e encontrei o Moleskine a pronta entrega na Freebook, uma livraria especializada em importados. O valor? Um pouco mais que na Cultura, mas afinal de contas era um Molekine né. Fiz meu pedido pelo site às 23:00 horas do dia 12 e quando cheguei em casa no final da tarde do dia 14 meu Moleskine já estava me esperando. Inacreditável! E ele chegou em perfeitas condições, muito bem embalado com nota fiscal e tudo mais. Recomendo muitíssimo a Freebook.
Agora sou a feliz proprietária de um lindo Moleskine. Não vejo a hora de 2012 começar.
“If you grit your teeth, and show real determination, you always have a chance!” – Charlie Brown.