Hoje estou usando calcinha bege.

Minto. O sutiã também é bege. Além de ter essa cor, este conjunto de “roupas de baixo” não tem rendas, lacinhos e muito menos brilho. Não é sexy, não é bonito mas é muito confortável. É tão confortável que o elástico já está ficando um pouquinho gasto, de tanto que eu uso. Neste exato momento deve ter um monte de mulher tentando arrancar a calcinha-fio-dental-com-renda-de-oncinha pela cabeça. Como ousas – bradarão elas – não usar uma roupa de baixo adequada à sua condição de fêmea sedutora? Ah, eu ouso sim. Sabem o que eu não ouso? Passar o dia incomodada com uma microcalcinha tentando adentrar lugares onde não é bem vinda e nem me sentir oprimida por bojos e arames que limitam meu conforto.

Sua louca – gritarão as fêmeas sedutoras – então você não sabe que calcinha bege é coisa de vó, e pior, é extremamente broxante!? Quantas vezes eu já ouvi esse papinho que calcinha bege é “o fim do mundo”? Cá entre nós, eu não costumo passar minhas oito horas de trabalho pensando que a qualquer momento o Stanley Kowalski (dá um Google lá) vai entrar aqui na sala me chamando de Steeeeeeeeeeeelaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!, vai me pegar no colo e me deitar no solo… E mesmo que isso acontecesse, a última coisa que aconteceria seria o Kowalski olhar bem nos meus olhos e dizer: meu amor, com essa calcinha bege não dá!

Olha só, eu respeito aquelas que gostam de dividir um segredinho com a Victória, que querem estar sempre alertas pois nunca se sabe né, num momento você pode dar um tropeção no Brad Pitt e no seguinte estar dividindo a cama com ele, mas eu tenho a leve impressão de que se você for dormir com um cafajeste a primeira coisa que ele não vai querer ver é sua calcinha de rendinha, e se você for dormir com o amor da sua vida a última coisa que vai fazê-lo deixar de amar é se sua calcinha é mais ou menos sensual.

Tá, eu concordo, a calcinha certa no momento adequado pode operar milagres, mas não creio que esse milagre vai acontecer às oito da manhã dentro do Inter 2 lotado.

Faz um bom tempo já, eu li um livro chamado “Um amor de maria-mole”, livro para adolescentes. Ele era escrito em forma de diário e a autora ia dividindo com os leitores suas descobertas e decepções. Um dos momentos mais importantes foi quando ela foi dormir com um garoto pela primeira vez. Ela ficou uma tarde inteira decidindo qual pijama deveria levar. No outro dia ela escreveu no diário:

– A noite foi ótima e eu não precisei do pijama

(para não puxar a sardinha apenas para o meu lado, eis aqui uma opinião de macho)