O caso do mendigo

É, podem reclamar, de novo ele. Mas eu tenho direito afinal não compartilhei a foto e nem comentei. O máximo que fiz foi “curtir” pois achei  interessante um mendigo de olhos azuis. Só no fim do dia fui saber que ele era ex-modelo, viciado em crack e morador das ruas de Curitiba.

Graças ao Facebook a foto foi compartilhada zilhões de vezes, o rapaz ficou famoso e a TV localizou e entrevistou sua família. Teve até um telejornal sensacionalista que tentou entrevistá-lo, mas de noite, numa rua deserta e sob efeito de drogas ele não me pareceu tão bonito quanto na foto.

Hoje pela manhã ouvi no rádio: aconteceu o que a mãe dele mais queria, ele foi internado para tratamento. Uma clínica de São Paulo ofereceu. Coisa boa porque, oras, como pode um moço tão bonito estar jogado na rua? Não é justo, é? Mas então eu pensei:  se não fossem os olhos azuis ele ainda estaria perambulando pelo Largo da Ordem.

No Facebook, sempre que alguém ousa publicar a imagem de uma pessoa doente e debilitada com o intuito de conseguir algum tipo de ajuda, é logo deixada de lado. Na rede social nossas vidas são perfeitas, temos os melhores amigos , as melhores refeições, as melhores férias e nossos olhos sempre são azuis. A foto do belo sem teto é agradável ao olhar e ao mesmo tempo cativante. Que ele realmente se recupere.

Quisera que todos os mendigos  tivessem olhos azuis.