É o meu jeitinho (ou de como detesto atividades em grupo)

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Senti um arrepio correr pela minha espinha quando, lá de cima do palco, o regente anunciou sorrindo:

– E agora, para encerrar nosso primeiro ensaio de 2017, vamos fazer uma brincadeira.

Por brincadeira entenda-se DINÂMICA DE GRUPO.

Eu ODEIO dinâmica de grupo.

Em questão de minutos eu tinha nas mãos um clips, uma folha em branco e uma caneta. Fiquei olhando para aqueles objetos e imaginando o que o MacGyver construiria para fugir dali.

– Queridos, soou novamente a voz fúnebre (ao menos para mim) do regente, vocês devem usar o clips para prender a folha de papel nas suas costas. Peçam ajuda do colega. Agora, enquanto o pianista toca uma música, vocês devem escrever nas costas dos colegas o que acham deles. Escrevam alguma qualidade, coisas boas. Se não conhecem a pessoa, escrevam  o que esperam que ela seja.

A música começou e aí instalou-se o caos.

(Já repararam que quem inventa essas “interações” nunca participa?)

Formaram-se filas de pessoas escrevendo nas costas umas das outras. Eu, como estava na chuva, esbocei meu sorriso de sofrimento e escrevi algumas coisas.

Após 3 minutos de música, que para mim pareceu ser 3 horas, pude ver o que os outros acham de mim:

DIVERTIDA

GENEROSIDADE

INTELIGENTE (duas vezes!)

MUITO GENTE BOA

ADORO

QUERIDA

E o meu preferido…

TE ACHAVA ESQUISITA, AGORA TE ADORO

E é isso mesmo. Existem pessoas que são extrovertidas, falantes, animadas, puxam conversa, sabem falar sobre qualquer assunto, viram BFF do dia para a noite. E existe a Kátia.

Por um longo período sofri por ser assim, ou melhor, por ser eu mesma. Via as pessoas fazendo amizade facilmente, conversando com desenvoltura, desinibidas e, aparentemente, felizes. E eu era o oposto. Não conseguia fazer amigos, tinha vergonha de falar com desconhecidos, gastura de ir a algum lugar onde não conhecesse ninguém.

Ano após ano eu achava que ser extrovertida era o certo (porque o mundo me mostrava que era assim) e que, portanto, ser a Kátia era errado, que eu devia me consertar.

Até que um dia eu desisti. Cansei de tentar me enquadrar no que os outros achavam certo e me conformei em ser eu mesma (não foi do dia pra noite, os anos de vida ajudam bastante e é um processo que só vai terminar no dia em que não existir mais a Kátia). Claro que melhorei meu “traquejo social”, afinal, quem não se comunica…, mas essencialmente, sou a mesma de sempre.

À primeira vista parece que sou enfezada e não vou com a cara de ninguém.

Mentira.

É apenas o meu jeito.

E, como ficou comprovado na tal dinâmica de grupo, tem gente que gosta de mim do jeitinho que sou.