Professora! Isso cai na prova?

Tínhamos recém completado seis anos. Entramos na sala de mãos dadas tentando diminuir o nervosismo uma da outra.

Lá dentro havia umas 5 ou 6 pequenas mesas, cada uma com 4 pequenas cadeiras.

Nos posicionamos para sentar juntas mas ela chegou, viu o que tramávamos e nos separou: cada uma em uma mesa.

Foi a primeira vez que odiei  Tia Terezinha, e a última.

turma do pré da Tia Terezinha

Nossos pais gostavam dela pois, diziam, comparada à professora do turno da manhã, ela cobrava bem mais dos alunos – crianças de 5 e 6 anos de idade que estavam indo para a escola pela primeira vez na vida.

No meu mundo, naquele tempo, não existiam palavras como Montessoriana, Construtivista, Pikler, Piaget, Waldorf…

Carinhosa e enérgica na medida certa, nunca a vi gritar ou perder a paciência com nenhum de nós, e éramos tão diversos e diferentes…

Nosso método pedagógico era baseado no amor que Tia Terezinha depositava em tudo que nos ensinava.

Passou o tempo, cresci, tive inúmeros outros professores. Alguns ruins, mas os bons, felizmente, não cabem nos dedos das mãos.

Com cada um deles aprendi algo, não necessariamente aquilo que cairia na prova – e de que adiantam provas se o verdadeiro teste prático é a vida? Sou grata por isso.

Semana passada, pela segunda vez, recebi meu diploma (privilégio gigantesco se formos pensar nos dados sobre a educação no Brasil).

Mas voltando ao meu primeiro dia de aula, naquela que seria a minha segunda graduação, lembro da professora,  estilosamente  vestida, explicando que nosso diploma de tecnólogos era tão importante quanto qualquer outro (no final, para que todos entendessem bem, ela sucumbiu: sim, esse diploma vai servir pra concurso público).

A pequena Lucina.

eu e a pequena Lucina

Lá na frente ela falava sobre umas coisas bem doidas tipo a macaca que moveu um braço robótico com o pensamento (ver Dr. Miguel Nicolelis).

E por mais loucas que fossem as aulas dela – numa das provas tínhamos que tomar um copinho com café – amargo – e dissertar sobre, eu percebia uma paixão por ensinar, por nos ajudar a entender o mundo, que posso comparar ao método amoroso-pedagógico da Tia Terezinha.

Destaquei essas duas pessoas da minha lista de ótimos professores para, usando-as como exemplo, homenagear todos aqueles (beijo povo de Letras!) que contribuíram para que eu chegasse onde estou e, principalmente, para que eu continue querendo ir além.

Muitos nem devem lembrar de mim, mas cada pequeno pedaço de conhecimento que eles me deram…isso ninguém me rouba.

O Captain! my captain!