Destino Buenos Aires: conclusão

Mas afinal, valeu a pena?

Sem dúvida. Posso dizer que certamente essa foi a melhor viagem que fiz até hoje. Cada centavo investido valeu a pena. Mais do que as compras e os passeios turísticos valeu muito mergulhar na cultura de um povo que mesmo estando tão perto é tão diferente.

Foi bom contar com a ajuda da Dona Marta no nosso primeiro dia e com a atenção do nosso chofer, o senhor Florentim.

Foi bom ir ao supermercado e tentar adivinhar qual produto de limpeza servia para o que ou parar em frente às prateleiras de doces tentando decidir qual alfajor iríamos provar naquele dia.

Foi bom assistir aos programas de tv argentinos tentando entender o que os repórteres estavam dizendo.

Foi bom (ou nem tanto) descobrir que a burocracia bancária é igual aqui ou na argentina e que os motoristas de ônibus agem da mesma maneira seja em Curitiba ou em BsAs.

Foi bom andar de metrô e ouvir aquela língua tão semelhante ao português, mas ao mesmo tempo tão diferente.

Mais de sete meses se passaram e só agora consigo finalmente terminar meu relato de viagem e ao rever as fotos e relembrar dos nossos dias em BsAs só sinto uma coisa, muita saudade. Sinto saudade até da temperatura abaixo de zero, mas tenho certeza de uma coisa, essa foi só a minha primeira viagem à Argentina.

Saudades de ficar nessa sacada olhando o movimento da rua…

 


Destino: Buenos Aires – dia 10: Cemitério da Recoleta, Obelisco e Freddo

No nosso último dia de passeio em BsAs resolvemos visitar nosso vizinho, o Cementerio de la Recoleta, e sua moradora mais ilustre: Eva Perón.

Mausóleu Eva Perón

Apesar de Evita ser muito famosa o túmulo da família Duarte (familia de Evita) é um dos mais modestos quando comparado aos túmulos dos vizinhos. Na Recoleta morre-se muito bem. Logo na entrada compramos um mapa do cemitério que continha a indicação das melhores rotas para visitar o cemitério e indicava o local onde estão enterrados os portenhos mais ilustres. Nomes de ruas, praças, avenidas, bairros…todos vocês podem encontrar lá, em um túmulo mais luxuoso que o outro.

Há também visitas guiadas em espanhol, inglês e até português. É só ficar atendo aos dias e horários em que elas acontecem.

Li em alguns sites e blogs de viagem que se você tiver algum tipo de curiosidade mórbida, deve visitar o cemitério da Recoleta. Está certo que estamos falando de um cemitério mas mesmo que você não seja fã de túmulos vale a pena conhecer o lugar pois, acreditem se quiser, os mausoléus são belíssimos.

Saímos do cemitério, passamos em frente ao Centro Cultural da Recoleta e pegamos um subte até o centro. Próxima parada: El Obelisco.

O menor carro do mundo

Centro Cultural Recoleta

 

Mas antes de chegar lá eu preciso falar de uma figura bem interessante que vi em BsAs: o passeador de perros (cachorros).Vi alguns passeadores de perros pelas ruas e sempre me admirava com a quantidade de cachorros que eles levavam para passear ao mesmo tempo (ou será que os cachorros é que levavam os passeadores?).

E como funciona? O passeador veste um cinto com vários guanchos e aí é só ir prendendo aos ganchos quantas guias forem necessárias. E são todos cachorros de grande porte, nada de poodle ou yorkshire.

O cara da foto por exemplo, parou para comprar um pancho (cachorro quente) e continuou caminhando tranquilamente como se não estivesse rodeado por uma dezena de cachorros.

Chegando ao Obelisco tiramos as famosas fotos no melhor estilo “estive em Buenos Aires”.

O Obelisco ao fundo

Almoçamos no Burgerking e fomos visitar o Teatro Colón. O namorado até pediu para tirar fotos da parte de dentro, mas sem sucesso. Restaram as fotos da fachada.

Praça em frente ao Teatro Colón

Andamos mais um pouco pelo centro e no começo da noite voltamos para o apartamento. Era hora de arrumar as malas.

Tivemos nosso último jantar na Frattempo e para fechar com chave de ouro me esbaldei de sorvete de doce de leite no Freddo.

Destino: Buenos Aires – dia 9: compras

Como bons turistas brasileiros elegemos a segunda-feira para ser nosso segundo dia de compras. De volta à Palermo conseguimos finalmente achar a loja que tanto procuramos no primeiro dia, o outlet da Tommy Hilfiger.

Vários outlets depois consegui arrematar um moletom da Puma por um preço muito bom e negociei a compra de dois calçados com uma vendedora que não conseguia entender nem o número do meu calçado. Bom, eu também não entendia quase nada do que ela falava e a saída foi usar o segurança da loja como intérprete.

Dica 1: se você é um louco consumista e adora exibir roupas de grife, Palermo é o seu lugar. Pesquisando um pouco você conseguirá comprar  coisas bacanas e economizará uma boa grana.

Dica 2: apesar de economizar nas roupas, um simples café com medialunas pode custar bem caro na região dos outlets. Provavelmente por saberem que quem vai a Palermo tem dinheiro, os donos dos cafés elevam bastante os preços dos produtos.

compras, compras, compras

 

Destino: Buenos Aires – dia 8: Chuva, San Telmo e MALBA

Domingo era para mim um dos dias mais esperados da viagem. Era o dia de conhecer a famosa Feria de San Telmo. Infelizmente a previsão do tempo estava certa e choveu o dia todo. Mas mesmo com chuva resolvemos conhecer a feira.

Chegamos lá por volta das onze da manhã. Além de nós e de um ou outro grupo de turistas também brasileiros (que aproveitavam para comprar capas de chuva), havia pouquíssimo movimento na praça. A combinação feira+chuva não rendeu um bom passeio então fomos em busca de um lugar mais seco.

A poucas quadras da praça havia um restaurante de comida caseira chamado La Esquinita e posso dizer que foi uma de nossas melhores escolhas para comer lá em BsAs. Lugar simples mas aconchegante. Atrás do balcão havia uma moça calada mas simpática e na cozinha simples provavelmente ficava a dona do lugar fazendo também a vezes de cozinheira. Como em BsAs o costume é almoçar tarde, enquanto nós aguardávamos nossos pratos um casal francês tomava o desayuno.

No final da contas sair de casa no frio, na chuva e ir até San Telmo valeu muito a pena. Olha só o nosso almuerzo:

Depois de muito bem alimentados agradecemos pelo almoço e pegamos o subte. Próxima parada: Feria del Libro Infantil y Juvenil.

Mesmo com chuva ou justamente por causa dela o lugar estava cheio. Muitos estandes, atrações infantis, barraquinhas de comida e até uma área destinada às apresentações culturais. Aproveitei para comprar alguns livros e fomos assistir a um show de títeres (para nós, marionetes).

Saimos da feira e como a chuva havia dado uma trégua aproveitamos para conhecer o MALBA. Posso definí-lo em uma palavra: imenso. Acho que poderia gastar um dia inteiro lá que não conseguiria ver tudo em detalhes. Eu tive uma professora que adorava esfregar na cara dos alunos o quanto ela era culta por ter ido nesse e naquele museus e visto as obras desse ou daquele artista super famoso. Depois do MALBA eu posso dizer que já vi de perto um Di Cavalcanti, um Portinari, um Botero, um Van Gogh, um Rembrandt, isso sem falar no Abaporu da Tarsila do Amaral, entre muitos outros artistas famosos.

Com todas essas obras valiosas guardadas em um só lugar a segurança é bem rigorosa. Há uma revista para entrar; fotografar e filmar é proibido e nem tente atravessar as faixas amarelas pintadas no chão que limitam a aproximação das obras. No momento em que você pisa na faixa um segurança brota do chão solicitando que você se afaste.

Para o jantar resolvemos cometer um extravagância. No caminho do MALBA até o apartamento fica o shopping Buenos Aires Design e nele um Hard Rock Cafe. Como descrever o lugar? Música, vários telões, guitarras, baixos e afins autografados por grandes nomes do rock ficam espalhados pelas paredes. O garçon que nos atendeu era muito simpático; veio, apresentou-se, explicou o funcionamento da casa, trouxe o cardápio e tirou nossas dúvidas. E também se ofereceu para tirar uma foto. Lá em BsAs não tem essa história de já vir cobrada na conta a taxa de serviço “espontânea” de 10%. Todas as propinas (gorjetas) foram realmente dadas de livre e espontânea vontade e quase todos que nos atenderam fizeram por merecer.

Na hora de sair decidimos dar uma passadinha na lojinha do Hard Rock e, meus amigos, mesmo o peso sendo mais barato que o dolar e o real, é preciso coragem para comprar algum suvenir da loja. Desde chaveiros até moletons, tudo lá é muito caro. Mesmo assim o namorado fez questão de comprar uma caneca.

Com alguns pesos a menos na carteira mas muito bem alimentados, encerramos nosso domingo chuvoso com chave de ouro.

 

Destino: Buenos Aires – dia 7: Jardín Zoológico, Parque 3 de Febrero e saltando de um trem em movimento – Parte 2

Estávamos longe das estações do subte mas vimos no mapa que havia uma estação de trem perto dalí e resolvemos variar o meio de transporte.

Como eu já disse em outro post, em BsAs não existem catracas nos trens ou nos colectivos e ninguém pede para que os passageiros mostrem o bilhete da passagem quando embarcam nos trens. Mas se você for pego tentando viajar de graça tem que pagar uma multa.

Chegamos à estação e fomos até o guichê para comprar as passagens e tudo o que vimos foi um papel que dizia “volto logo”. O funcionário responsável pela venda dos bilhetes devia estar entediado (ou quem sabe teve um piriri) e resolveu dar uma volta. Além do guichê vazio havia um guarda que também não fazia ideia do paradeiro do moço do guichê. O engraçado é que enquanto esperávamos o funcionário da estação voltar, sabe-se lá de onde, a plataforma começou a encher de gente mas, mesmo após terem passado 3 trens ninguém embarcou sem o bilhete. Quando já havia umas 15 pessoas esperando por ali o guarda finalmente decidiu tomar uma atitude e disse que podíamos embarcar no próximo trem e que, se perguntassem algo sobre o bilhete, era para dizer que não havia ninguém no guichê da estação. Simples assim.

Descemos na estação Retiro e podíamos ter ido de subte até nosso bairro mas meu namorado, em sua ânsia de desbravar os meios de transporte argentinos, viu que havia um trem que saía de Retiro e ia até a Recoleta.

Embarcamos novamente e dessa vez pagamos a passagem. A distância até a estação de destino era curta mas em BsAS, fora nas estações centrais, não existem aquelas plataformas extensas para embarque e desembarque ou uma placa sinalizando que aquilo alí é uma estação.

A estação de trem da Recoleta não passa de uma faixa amarela pintada numa pequena extensão de calçada; no meio do nada.

O trem foi diminuindo a velocidade até parar. Olhei para o lado e não vi nada que indicasse que ali era uma parada. Na dúvida o namorado levantou, olhou pela janela, disse “é aqui” e desceu. Eu e o Lucas levantamos com pressa e fomos descer. Acontece que eu fiquei por último e naquele momento o trem já estava em movimento. Minhas opções eram pular mesmo assim ou ficar no trem e parar sabe-se lá onde. Então eu pulei, instantes antes do trem aumentar a velocidade. Foi divertido, mas eu não faria isso de novo. Crianças, não tentem isso em casa.

Já em terra firme fomos descobrir que havíamos descido nos fundos do Shopping Paseo Alcorta.

Corremos para a praça de alimentação e enquanto meus companheiros de viagem se saciavam com combos do Mc Donalds, eu escolhi um fast food de empanadas acompanhadas por um copo de refrigerante de pomelo (um gosto bem diferente).

Gastamos o resto do dia olhando vitrines e fazendo compras. Depois de um dia tão movimentado resolvemos não arriscar um novo salto de um trem em movimento e voltamos para o apartamento de taxi, loucos por uma boa noite de sono.