O que estou fazendo aqui?

Imagem daqui: http://www.t-chest.co.uk/index.php?main_page=product_info&products_id=204

Por dois dias essa pergunta não saiu da minha cabeça. Eu estava em um curso – algo relacionado a licitações e contratos – por mim frequentado por força do meu trabalho. Enquanto tentava me concentrar nas explicações, rabiscava palavras soltas em uma folha de papel. Eu olhava aquelas palavras e parece que elas me perguntavam “o que você está fazendo aqui?” ou ainda, cheias de razão, afirmavam “isso não é para você”. Me senti sufocada, entediada, deslocada.

Sempre aceitei o fato de que, de um jeito ou de outro, tenho que trabalhar e que esse trabalho não seria necessariamente algo prazeroso. Consegui um emprego estável (leia-se funcionário público) o que, para a maioria das pessoas, já é mais que suficiente. Não as culpo por isso, por desejarem um pouco de certeza num mundo tão inconstante. O problema é que para ter essa certeza, tenho que abrir mão de fazer algo novo, diferente, alguma coisa que realmente tenha algo a ver comigo. Mas a segurança (ou certeza) vicia pois afinal ninguém quer sentir-se ameaçado por reduções no quadro de funcionários, por crises financeiras ou pelo mal humor do chefe. Bem ou mal, para que eu consiga ser mandada embora, tenho que me empenhar muito. E assim o tempo vai passando, meses, anos, décadas.

Será que toda essa estabilidade paga o preço de dias como esses nos quais me sinto fora de lugar? Será que com um pouco menos de certeza, mas fazendo o que gosto, eu não estaria mais satisfeita?

Trabalho é somente trabalho?