O que estou fazendo aqui?

Imagem daqui: http://www.t-chest.co.uk/index.php?main_page=product_info&products_id=204

Por dois dias essa pergunta não saiu da minha cabeça. Eu estava em um curso – algo relacionado a licitações e contratos – por mim frequentado por força do meu trabalho. Enquanto tentava me concentrar nas explicações, rabiscava palavras soltas em uma folha de papel. Eu olhava aquelas palavras e parece que elas me perguntavam “o que você está fazendo aqui?” ou ainda, cheias de razão, afirmavam “isso não é para você”. Me senti sufocada, entediada, deslocada.

Sempre aceitei o fato de que, de um jeito ou de outro, tenho que trabalhar e que esse trabalho não seria necessariamente algo prazeroso. Consegui um emprego estável (leia-se funcionário público) o que, para a maioria das pessoas, já é mais que suficiente. Não as culpo por isso, por desejarem um pouco de certeza num mundo tão inconstante. O problema é que para ter essa certeza, tenho que abrir mão de fazer algo novo, diferente, alguma coisa que realmente tenha algo a ver comigo. Mas a segurança (ou certeza) vicia pois afinal ninguém quer sentir-se ameaçado por reduções no quadro de funcionários, por crises financeiras ou pelo mal humor do chefe. Bem ou mal, para que eu consiga ser mandada embora, tenho que me empenhar muito. E assim o tempo vai passando, meses, anos, décadas.

Será que toda essa estabilidade paga o preço de dias como esses nos quais me sinto fora de lugar? Será que com um pouco menos de certeza, mas fazendo o que gosto, eu não estaria mais satisfeita?

Trabalho é somente trabalho?

 

 

 

It all ends

Faz mais de dez anos mas ainda lembro a primeira vez que segurei Harry Potter e a Pedra Filosofal na mão. Olhei a capa, verifiquei o conteúdo da  contra-capa, li a primeira página e alguma coisa naquela prosa clara chamou minha atenção. Eu podia não ter mais onze anos mas a história me deliciava como se tivesse. Realmente, sair do meu mundo trouxa e embarcar com Harry no Expresso de Hogwarts com direção a Hogsmeade era tudo o que meu lado criança desejava. E por mais de uma década, primeiro com os livros e depois com os filmes, senti a magia mais perto de mim.

A série acabou, Harry Potter cresceu e agora nos sentimos um pouco órfãos. Mas ainda assim fico feliz por ter tido a chance de acompanhar a saga. Um dia vou tirar da estante meus livros cobertos de poeira, vou sentar no sofá e deixar a magia me envolver…uma vez mais.

“Naturalmente está acontecendo dentro da sua cabeça, mas por que é que isto deveria significar que não é verdadeiro?”

Cabelo, cabeleira.

- Nossa! Como seu cabelo é fininho e lisinho, parece de bebê!

É isso que eu escuto quando vou ao cabeleireiro. Cabelo fininho e lisinho pode ser legal, para um bebê. Ter um cabelo como o meu é sempre um problema pois nem as mais poderosas presilhas conseguem ficar presas a ele. Desde que me conheço por gente até, sei lá, meus vinte e poucos, conservei meus cabelos compridos. Quando entrei na escola era minha mãe que cuidava do meu cabelo e ela não permitia que eu fosse para a aula com o cabelo solto. Mas como prender um cabelo tão escorregadio?

A solução encontrada: metros e metros de elástico. Minha mãe penteava bem meu cabelo, fazia um belo rabo de cavalo, dava voltas e mais voltas com o elástico e finalizava com uma bela maria-chiquinha. Realmente dava certo pois meu rabo de cavalo não desmanchava, mas em contra partida meu couro cabeludo ficava doendo e meus olhos ficavam ligeiramente puxados tal qual uma descendente do povo nipônico.

Um dia voltei da escola louca para me livrar do famoso rabo de cavalo mas minha mãe não estava em casa. Tentei tirar o elástico por conta própria mas quanto mais eu puxava mais preso ficava. Então, num momento de desespero fiz o que qualquer criança de seis ano faria, peguei uma tesoura e cortei aquilo que me prendia. Deu certo, o elástico soltou e junto com ele uma boa parte do meu cabelo.

Houve uma época em que minha tia inventou de fazer um curso de cabeleireira e me escolheu como cobaia. Ainda hoje lembro do cheiro daquele líquido usado para permanentes (e se você se identificou com a palavra permanentes, sabe de que década estou falando). Depois de umas duas ou três tentativas de cachear meu cabelo minha tia chegou a duas conclusões: ou ela era uma péssima cabeleireira ou meu cabelo não se deixava dominar facilmente – eu fico com a segunda alternativa.

Na adolescência quis experimentar coisas novas. Primeiro o papel crepom. Se você quer dar uma mudada no visual para curtir aquela festa à fantasia, eu recomendo. Depois os xampus tonalizantes. Primeiro só uma mecha de acaju, depois o cabelo todo. Era a época da rebeldia.

Fui crescendo e as experiências capilares continuaram. Deixei comprido, depois médio, depois curto, longo novamente, vermelho, mais loiro, mais escuro. Tentei deixar com mais volume, me arrependi, cortei mais curto que antes, fiz franja, deixei ela crescer, tentei fazer escova e babyliss e concluí que era perda de tempo.

Depois de muitos anos decidi aceitá-lo do jeito que é: liso, fininho, pouco. O desafio é achar um cabeleireiro que o compreenda. Eu achei uma que fez um corte bem legal. Infelizmente quando voltei ao salão a cabeleireira não trabalhava mais lá. Cortei com outra mas não foi a mesma coisa. Já estava perdendo as esperanças quando decidi seguir uma dica da Berinjela Rebelde e fui no Lolitas*. Posso dizer que hoje sou um ser humano bem mais feliz (e fiz a Isis – cabeleireira do Lolitas – prometer que nunca deixará o salão)

A foto, infelizmente, não faz jus à minha alegria.

* Propaganda gratuita pro Lolitas. Só o lugar já é uma atração à parte. Recomendo.

Acabou-se o que era…

Esse último feriado foi o primeiro em quase seis anos em que eu não fiz absolutamente nada e não estou me sentindo culpada por isso. Na quarta-feira passada fiz minha última prova na faculdade. Por questões técnicas continuarei matriculada por mais um semestre e farei minha formatura no início de 2012, mas não tenho mais nenhum compromisso formal com a UFPR.

O que sinto agora é alívio e saudade. Alívio pois agora posso chegar mais cedo em casa, ficar de pernas para o ar no fim de semana, jogar vídeo-game, assistir TV até enjoar e ler os livros que eu quiser e não os que os professores mandam ler.

Mas já sinto saudade. Saudade da cantina barulhenta, da emoção de pegar um elevador e não saber se ficará preso no meio do caminho, da bagunça organizada no dia do ajuste de disciplinas. Tenho saudade das aulas no anfiteatro, das disciplinas cujos nomes não têm nada a ver com o conteúdo, dos professores que ao seu modo realmente querem transmitir conhecimento e principalmente, saudade dos colegas que, ao longo desses quase seis anos, se revelaram amigos verdadeiros.

Apesar das cinco horas de sono diárias, dos finais de semana à volta com planos de aula e unidades temáticas e das madrugadas em claro; tudo valeu a pena e se eu fosse um pouco mais louca faria tudo de novo.

O diploma é importante, mas mais que isso, o que realmente valeu a pena para mim não foi o destino final e sim a viagem.

Momento de fúria – Doe um fone para um funkeiro

Existe no Facebook a campanha “Doe um fone para um funkeiro” e eu sou a favor dela. Sou tão a favor que já dei minha contribuição e não foi com a doação de um fone de ouvido…

Peguei em Tietê (São Paulo) um ônibus com destino à capital. É comum esses ônibus que saem do interior, pararem de cidade em cidade antes de chegar ao ponto final. Quando saí de Tietê o ônibus ainda estava vazio e silencioso, mas foi só chegar na segunda parada que o sossego foi embora. Entre os novos passageiros, dois mereceram uma atenção especial. O primeiro sentou-se nos primeiros bancos e pôs o celular para funcionar – sem fone – num gênero musical duvidoso*. Felizmente o barulho não chegava até meus ouvidos. Já o outro passageiro sentou do lado oposto ao meu no ônibus, uns dois acentos para frente. Ele entrou no veículo já com o celular na mão, mas ainda com fones nos ouvidos. Guardou a bagagem, ajeitou-se no banco e, com a maior cara de pau do mundo, tirou o fone do celular obrigando todos a ouvirem sua seleção musical.

Vamos combinar que este cidadão agiu de caso pensado e foi egoísta? Propositalmente tirou o fone do aparelho faltando assim com o respeito aos demais passageiros e obrigando-os a agüentar seu sertanejo brega*. Eu, que estava calma até então, vi tudo ficar vermelho, vermelho de ódio. Eu poderia ter ido até o banco do rapaz, pedido para ele colocar de volta os fones, mostrado que é falta de respeito agir daquela maneira… Mas não, eu fiz melhor; declarei guerra. Saquei meu celular, coloquei no último volume e dei o play.

Enquanto ele atacava de Luan Santana eu respondia com The Cure, Bob Marley, Santana, Smashing Pumpkins, Titãs, REM e Billy Idol. Se é para incomodar, vamos fazê-lo com estilo. O ônibus transformou-se em uma caixa de som ambulante. De vez em quando meu oponente olhava para trás não acreditando no que estava acontecendo e eu lá, firme e forte vendo quem ia desistir primeiro, pois estava disposta a lutar até minha última barrinha de bateria. Os demais passageiros não se manifestaram, provavelmente deliciados com aquela batalha inesperada, e muitos demonstravam estar do meu lado, pois balançavam a cabeça e até acompanhavam algumas das minhas músicas.

Uma guerra não se vence só com armamento pesado. É necessário ter uma estratégia, e eu tinha uma. Quando o ônibus entrou na próxima cidade eu desliguei meu celular. Meu oponente deve ter achado que havia ganhado a batalha. Pobrezinho. Assim que paramos na rodoviária uma funcionária da empresa de transporte (detalhe, meus dois companheiros de viagem ainda estavam com o som no máximo) entrou no ônibus e, de uma maneira bem severa, tal qual inspetores de colégio, mandou que todos desligassem seus celulares barulhentos e se caso alguém desejasse ouvir música que o fizesse com os fones de ouvido uma vez que havia uma lei que dizia ser proibido som alto dentro de coletivos. E falou mais, falou que se alguém insistisse em descumprir a lei o motorista tinha ordens de parar o ônibus no meio da estrada e retirar o causador do barulho.

Minha batalha estava ganha. Meu oponente colocou o fone de ouvido e eu pude terminar minha viagem em silêncio.

* antes que os admiradores de funk e sertanejo brega reclamem, tenho a declarar que, apesar de gostar de rock e de ele soar muito mais agradável aos meus ouvidos, também acharia errado se um roqueiro quisesse compartilhar suas músicas dentro de um coletivo. Mas devo confessar que sim, odeio funk, axé e sertanejo e tenho todo o direito de odiar afinal essas aqui são as Minhas Fabulosidades.

Não li e não gostei

imagem : http://www.escoladejogos.com.br/wp-content/uploads/turmadamonicazeebo.jpg

Como frequentemente faço, hoje, no caminho do trabalho, peguei um exemplar de um jornal que é distribuído gratuitamente aqui onde moro. Em meio às manchetes da primeira página, uma notícia me chamou a atenção “Mônica e Cebolinha assumem namoro” – ao lado a imagem do casal trocando um beijo.

 

Como assim seu Maurício?

 

Confesso que nunca me dei ao trabalho de ler uma só história da Turma da Mônica Jovem pois isso vai contra meus princípios. Não comprei a idéia da nova revista que deu um jeito de transformar aquela querida turminha em mangá. Nada contra a tal modernidade mas tem coisas que são boas do jeito que são e a Turma da Mônica original sempre cumpriu muito bem seu papel.

 E viva as coelhadas e planos infalíveis.

Eletrizante

Semana passada consegui fugir da rotina. Fui conhecer a quase finalizada Usina Hidrelétrica de Mauá, localizada no município de Telêmaco Borba, Paraná.

Para começar o dia: nascer do Sol em Tibagi

 

 

Ao fundo a barragem

 

Rio Tibagi

 

Em cima da barragem

 

Dentro da turbina