Me elogie, mas não só por perder peso

balloon-in-skyEles não vieram todos de uma vez. Pensando bem eles chegaram, um a um, ao longo de sete ou oito anos e foram se instalando silenciosamente. Um dia fui fazer uma bateria de exames e na hora de fazer as ecografias (sim, foram várias) a enfermeira me entregou um avental, desses que usamos em hospitais, com a recomendação de que eu devia tirar toda a roupa e vestir apenas aquilo. Quando cheguei ao banheiro vi que o tal avental era totalmente transparente e pouca diferença fazia eu vesti-lo ou não. Mas como era parte do protocolo, enrolei aquele pedaço de TNT transparente no corpo e me olhei no espelho.

Se eu tiver que citar o exato momento em que decidi tomar uma atitude e emagrecer foi no instante em que vi minha imagem refletida no espelho do banheiro. Há alguns anos eu tive pressão alta, tomei remédio por algum tempo, cuidei da alimentação, normalizei a pressão e até perdi alguns quilos. Digo que perdi porque consegui encontrá-los  e ainda arranjei alguns novos. Comecei a fazer acompanhamento com duas nutricionistas diferentes mais um endocrinologista. O cardápio feito pela primeira não deu resultados e quanto aos dois últimos profissionais, apesar da boa vontade da nutricionista, decidi deixá-los de lado no dia em que o médico prescreveu um antidepressivo.

A combinação de trabalho + faculdade + falta de tempo (preguiça?) de fazer exercícios + várias pizzas + doces fez com que meu peso fosse aumentando cada vez mais. Estava ficando cansativo subir um lance de escadas e difícil pintar as unhas dos pés já que a circunferência da minha cintura (barriga?) tinha alcançado aquele número que começa a preocupar.

Eu já conhecia a dieta Dukan, havia lido o livro e até tinha tentado fazê-la uma vez, sem sucesso.  Decidi me dar uma segunda chance e no dia 15 de Setembro de 2013 comecei a dieta. Não foi fácil me privar de tantas coisas gostosas, recusar bolos, chocolate e ver todos em volta comendo com prazer, mas meu maior prazer, o que realmente me manteve firme, foi fazer a pesagem todas as  manhãs e constatar que o número indicado no mostrador estava diminuindo dia a dia. Sentir minhas roupas ficando mais e mais largas era bem melhor do que devorar uma fatia generosa de bolo de chocolate. É claro que a vaidade colaborou bastante para que eu me mantivesse firme (receber elogios, olhar para o espelho sem medo, provar várias roupas e constatar que todas me caíam muito bem…) mas a saúde e a vontade/necessidade de me sentir saudável veio em primeiro lugar. Tenho alguns planos para esse e os próximos anos e eles dependiam muito da minha boa forma.

Não sei bem certinho com que peso comecei a dieta mas fazendo alguns arredondamentos posso dizer que eliminei uns 13 quilos.

 Sobre o método Dukan:

O que eu posso falar é: esse método caiu como uma luva para mim. Eu me adaptei muito bem a ele e não tive nenhum problema, mas não posso afirmar que ele sirva para todos.

Alguns sites e blogs fazem um resumão do método e dão até dicas de cardápio, mas a minha dica é: compre o livro (Eu não consigo emagrecer), leia o livro. Terminou? Leia novamente os pontos mais importantes e reflita se você vai conseguir encarar a dieta restritiva abrindo mão de comidas deliciosas e vá em frente. Mas se não der certo pare tudo e busque alternativas.

Mas será que todos realmente querem e precisam emagrecer para receber elogios e viver com saúde? Se elogiamos alguém por perder peso estamos admitindo que gordinhos não são tão bonitos ou será apenas uma percepção enviesada da beleza? Sugiro a leitura do post Não me elogie por perder peso.

Bolo de segunda – O ingrediente misterioso

BOLO DE SEGUNDAFosse há alguns anos, quando a minha habilidade na cozinha e a minha disposição para tentar coisas novas não eram lá muito grandes, eu não teria me arriscado na feitura desse bolo. Mas por duvidar que um bolo tão improvável pudesse mesmo dar certo, lancei-me nesse desafio.

Não é uma receita complicada, apenas um pouco trabalhosa, mas se você ainda não tem intimidade suficiente com batedeiras, fornos e formas, sugiro que deixe isso para um estágio mais avançado da sua vida culinária.

Assim que o bolo ficou pronto cortei um pedaço e analisei bem, tentando achar algum traço do ingrediente misterioso e nada, ele tinha desaparecido. A parte mais divertida estava por vir, ofereci o bolo para minhas cobaias meus colegas da firma com a seguinte frase:

– Tem um ingrediente especial nesse bolo que será revelado somente depois que todos comerem um pedaço.

Eles comeram, repetiram e adoraram e eu cumpri minha parte e revelei o segredo.

Curioso? Pois deixe que eu dê os devidos créditos. A solução desse mistério está aqui.

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Coincidências ou como a cultura pop é foda!

O que o Impressionismo, a banda The Smiths e o filme Ferris Bueller’s Day Off têm em comum?

O Impressionismo é um movimento artístico que surgiu na França no século XIX. Os artistas impressionistas pintavam ao ar livre utilizando pinceladas soltas enfatizando a luz e o movimento. Esses artistas foram revolucionários pois conseguiram captar, através de sua arte, as transformações sociais ocorridas no final do século XIX, transformações essas que deram inicio à Modernidade.

Nas últimas semanas tenho juntado muitos materiais referentes a esse movimento e uma das pinturas me chamou a atenção. O nome da tela é “Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte” pintada por Georges Seurat em 1884.

Georges_Seurat_-_Un_dimanche_après-midi_à_l'Île_de_la_Grande_Jatte

 

Assim que vi o quadro me lembrei do filme do Ferris Bueller, mais especificamente a cena do museu (o Art Institute of Chicago). Essa é a cena mais doce do filme e é quando o perturbado Cameron fica hipnotizado pela menina de branco no centro da tela.

Mas a sucessão de coincidências não para por aí. A música, linda, que toca durante a cena é uma versão instrumental de Please, Please, Please, Let Me Get What I Want dos Smiths.

Não acredita? Confere aqui na voz maravilhosa do Morrissey:

Sou fã do filme (daqueles que já o assistiram um zilhão de vezes) e, mesmo estando na categoria Sessão da Tarde, sempre o considerei excelente. Quanto aos Smiths, eles fizeram parte da minha adolescência. Lembro de ficar horas no meu quarto ouvindo suas músicas, cinco, dez, quinze vezes seguidas. A junção dessas duas manifestações artísticas com algo tão inovador, como foi o Impressionismo para sua época só me faz ter certeza de quão rica pode ser a cultura pop, quando bem utilizada.

Cinquenta tons de cinza (e mais alguns)

Num sábado à tarde estava dando uma volta entre as prateleiras de uma livraria quando comecei a reparar na grande semelhança entre as capas de alguns livros. Todos eles de alguma forma faziam alusão à trilogia Cinquenta tons de cinza. Não pensei duas vezes e comecei a fotografar.

Em todos os volumes a cor que predomina é a cinza (e seus vários tons). As palavras usadas nos títulos denotam uma sensação que fica entre o prazer e a dor com um leve toque de inocência e submissão dando a entender que o narrador é daquele tipo que quer muito, mas não tem coragem de admitir. Era mais de uma dezena de livros, mas no final fiquei com a impressão de ter fotografado o mesmo livro, apenas variando os ângulos.

Não li Cinquenta tons… e nenhum desses outros títulos. Não sei se são bons ou ruins, nem sei quem são os autores, o que sei é que de repente parece que só serei uma mulher realizada se:

– tiver um caso com um milionário, ou similar;

– for totalmente submissa a ele;

– e mesmo que queira muito uma boa trepada noite de amor, devo fazer de conta que não é comigo.

Engraçado que este tipo de literatura sempre existiu mas atendia pelo nome de Sabrina e Julia. E mulher que lia esses livros era (classificada como) ingênua e/ou mal comida. Mas agora quem lê Cinquenta tons… e seus genéricos (pois tá no jornal, tá na Globo! tá na Veja!) é esclarecida, moderna e atualizada (além de sexy e poderosa).

Vai entender.

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O que você quiser – envolvida por um bilionário

(e quem não ia querer?)

 

 

 

 

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 50 versões de amor e prazer

(olha o número mágico aí)

 

 

 

 

 

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A Casa da Submissão – Uma história cinquenta tons acima

(abaixo, de lado, de ponta cabeça…)

 

 

 

 

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Valentina – na câmara escura

(pra quem tem vergonha de tirar a roupa)

 

 

 

 

 

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A noiva despida – Quais são os limites do desejo?

(pra quem quer esperar até o casamento)

 

 

 

 

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Toda sua – Ele me possuiu e eu fiquei obcecada…

(essas são perigosas)

 

 

 

 

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No limiar do desejo – Render-se ao prazer só é libertador se você se entregar por completo

(humrum, por completo, sei)

 

 

 

 

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Não posso me apaixonar – às vezes resistir é impossível…

(e se você for profissional do sexo, pode acabar com sua carreira)

 

 

 

 

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Amante renascido

(the walking dead?)

 

 

 

 

 

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80 dias – a cor da luxúria

(50 tons, 80 dias, é o sexo indo para a área das exatas)

 

 

 

 

 

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falsa submissão 

(aquelas que não se comportam nem apanhando de cinta)

 

 

 

 

 

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Bem profundo

(precisa comentar?)