- Nossa! Como seu cabelo é fininho e lisinho, parece de bebê!
É isso que eu escuto quando vou ao cabeleireiro. Cabelo fininho e lisinho pode ser legal, para um bebê. Ter um cabelo como o meu é sempre um problema pois nem as mais poderosas presilhas conseguem ficar presas a ele. Desde que me conheço por gente até, sei lá, meus vinte e poucos, conservei meus cabelos compridos. Quando entrei na escola era minha mãe que cuidava do meu cabelo e ela não permitia que eu fosse para a aula com o cabelo solto. Mas como prender um cabelo tão escorregadio?
A solução encontrada: metros e metros de elástico. Minha mãe penteava bem meu cabelo, fazia um belo rabo de cavalo, dava voltas e mais voltas com o elástico e finalizava com uma bela maria-chiquinha. Realmente dava certo pois meu rabo de cavalo não desmanchava, mas em contra partida meu couro cabeludo ficava doendo e meus olhos ficavam ligeiramente puxados tal qual uma descendente do povo nipônico.
Um dia voltei da escola louca para me livrar do famoso rabo de cavalo mas minha mãe não estava em casa. Tentei tirar o elástico por conta própria mas quanto mais eu puxava mais preso ficava. Então, num momento de desespero fiz o que qualquer criança de seis ano faria, peguei uma tesoura e cortei aquilo que me prendia. Deu certo, o elástico soltou e junto com ele uma boa parte do meu cabelo.
Houve uma época em que minha tia inventou de fazer um curso de cabeleireira e me escolheu como cobaia. Ainda hoje lembro do cheiro daquele líquido usado para permanentes (e se você se identificou com a palavra permanentes, sabe de que década estou falando). Depois de umas duas ou três tentativas de cachear meu cabelo minha tia chegou a duas conclusões: ou ela era uma péssima cabeleireira ou meu cabelo não se deixava dominar facilmente – eu fico com a segunda alternativa.
Na adolescência quis experimentar coisas novas. Primeiro o papel crepom. Se você quer dar uma mudada no visual para curtir aquela festa à fantasia, eu recomendo. Depois os xampus tonalizantes. Primeiro só uma mecha de acaju, depois o cabelo todo. Era a época da rebeldia.
Fui crescendo e as experiências capilares continuaram. Deixei comprido, depois médio, depois curto, longo novamente, vermelho, mais loiro, mais escuro. Tentei deixar com mais volume, me arrependi, cortei mais curto que antes, fiz franja, deixei ela crescer, tentei fazer escova e babyliss e concluí que era perda de tempo.
Depois de muitos anos decidi aceitá-lo do jeito que é: liso, fininho, pouco. O desafio é achar um cabeleireiro que o compreenda. Eu achei uma que fez um corte bem legal. Infelizmente quando voltei ao salão a cabeleireira não trabalhava mais lá. Cortei com outra mas não foi a mesma coisa. Já estava perdendo as esperanças quando decidi seguir uma dica da Berinjela Rebelde e fui no Lolitas*. Posso dizer que hoje sou um ser humano bem mais feliz (e fiz a Isis – cabeleireira do Lolitas – prometer que nunca deixará o salão)

A foto, infelizmente, não faz jus à minha alegria.
* Propaganda gratuita pro Lolitas. Só o lugar já é uma atração à parte. Recomendo.